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domingo, setembro 9

Último Sentido


            
           Nunca estaremos prontos. Nunca estaremos completamente imunes e vacinados contra o nosso próximo destino (ou sonho, ou até pesadelo). Nunca saberemos o que vai ser até que seja. Se a gente faz escolhas hoje é por uma questão de idealização não é? Idealizar é criar uma ideia, a qual nunca estará pronta. Primeiro porque no momento em que falo em ‘criar’, milhares de alternativas vindas lá do nosso lado mais subjetivo, despencam na nossa frente. A segunda causa se dá pela ‘ideia’. Ter uma dessas, é muito mais do que ter os teus neurônios em dia: é ter vida. E como a manufatura é falha, o produto final também vai ser. Idealizar é uma das coisas mais excitantes e perigosas que tu podes fazer, já que tu tá tentando manipular o futuro. Apenas tentando é claro, porém não nos aguentamos e quando criamos algo no qual a gente deposita todas nossas expectativas, caímos e batemos nossa cara no chão. Expectativa é uma das piores maneiras de ansiar. Já a esperança é uma das melhores maneiras de intuir.
         Não te preocupa tanto com o teu destino. Não te preocupa tanto com o que não merece ser ‘preocupado’. Não te preocupa tanto se o certo de hoje é o errado de amanhã. Faça e refaça opções, mas acima de tudo, saiba aproveita-las da melhor forma ainda no hoje. Hoje esse, que nunca estará pronto

quinta-feira, agosto 30

Irônico Inevitável


         A gente nunca tá preparado pra perder alguém. Seja numa história de amizade, de amor ou apenas de convivência. Mas o que mais nos impressiona, é perder alguém para sempre. Só quem já viveu a perda da vida de alguém próximo sabe do que falo. Aliás, me engano: nem quem já viveu essa sensação sabe do que estou falando, porque não sabemos qual será o próximo sentimento que irá brotar da saudade e aparecerá amanhã de manhã quando nos lembrarmos não da pessoa, mas dos instantes que vivemos. A revolta aparece, é claro. Qual a razão da morte? Por qual motivo a vida que conhecemos tem fim? Talvez seja porque tudo o que é bom acaba? Ou porque ela é tão imperfeita que tem gente que quer acabar com ela o mais rápido possível? Por que doença ou acidente de trânsito? Não sei mesmo. Talvez seja o destino? Balela! Os objetivos até podem tar traçados, mas os caminhos é a gente que faz mesmo. Então será porque a gente tem que desvendar os mistérios que nos cercam pra alcançarmos a paz? Talvez seja uma melhor explicação... mas macacos nos devorem, que mistérios são esses?! Ah, a gente só descobre quanto nossa missão tá feita por aqui? Missão? Missão. Qual? A gente descobre.
         A gente descobre, na hora da perda, que algum sentimento puro ainda existe nos dias de hoje. A gente descobre que, dependendo da morte, ela é linda. A gente descobre que o choro com o olho direito significa ternura e que os clichês são verdade: sempre conviva com o ser em detrimento do ter. O que a gente melhor desvenda é que não existe tristeza maior do que o adeus, porém não existe sentimento melhor do que a certeza de que o “maior bem” ainda está por vir. Onde estiver, fica como tu nos deixaste: em paz.



sábado, agosto 18

Vida de Todo Gênero


         Não, a vida não é como um longa metragem. Todo mundo finge que esse assunto é saturado, mas vamos convir: nós temos esperanças que um dia ela se torne um. Em um bom filme tudo é programado pra que nossos olhos se encham de expectativas com a paisagem perfeita e que nossos ouvidos se deleitem com a trilha sonora exata, para assim tentarmos entender a emoção vivida pelos personagens. Quando chega o final e os créditos sobem, nossos olhos ficam atônitos por uns segundos, comando esse vindo de nosso cérebro, o qual ainda está interpretando a última frase dita pelo protagonista. Tudo muito empolgante, porém, fictício. A realidade é um pouquinho diferente: as nossas alegrias chegam também em dias chuvosos e nossas tristezas em dias até então inspiradores. Quando te cobrarem quanto ao rendimento profissional e pessoal nenhuma música motivacional irá começar a tocar no local que tu está, e todo o teu esforço para se tornar uma pessoa melhor não vai passar em formato de corte de cena, durando apenas 10 segundos. Não tente fazer de todos os teus dias um novo momento pra te superar e descobrir algo extremamente positivo porque a tua frustração será imensa. Os dias ruins e mais ou menos devem existir e tu sabes a razão dessa necessidade. A notícia boa (sempre tento trazer alguma) é que nem toda nossa vida se encaixa perfeitamente, porém há momentos (pequenos em tempo) que se assemelham tanto com o filme que tu viu semana passada que te fazem querer cada vez mais entender como isso tudo que nos cerca funciona, e mais, te provocam a tentar mais uma vez sentir esse limitadíssimo instante. Tenho certeza que tu vai conseguir, mas até lá, boa sorte pra todos nós com nossos maquiados e editados 10 segundos.


terça-feira, agosto 7

Achado Atrasado




A gente nunca percebe o quão bom é o tempo que estamos vivendo porque ainda persistimos naquela chata e humana mania de só nos darmos conta da real felicidade, quando ela já não está mais aí pra nos fazer decentes. Sim, decência, porque essa não devia nos reportar ao esforço para não sermos julgados de forma negativa pelos outros, mas sim devia ser o maior sinônimo de felicidade. A questão surge: Então chegamos mais perto da felicidade única e exclusivamente quando não a temos mais? Cada vez mais acredito que sim. Essa realidade pode ser um pouco triste, porém natural: não podemos medir o tamanho da nossa felicidade de hoje porque essa perderia a graça! Fazer essa medição seria como desrespeitar as regras, ou como ir numa cartomante e ela finalmente acertar todos detalhes de teu futuro em cheio. Sempre que falo em “natural” estou me referindo a algo extraordinariamente bom, afinal o homem nunca botou suas mãos em tamanha complexidade. Já falei aqui, que um dos fatores que mais deve ser levado a sério em nossas vidas é o nosso pensamento, ou seja, coisa natural. É de berço que trazemos esse sentimento de “felicidade tardia”, ou melhor, “felicidade perdida”. O lado bom (ótimo) é que o “natural” sempre age com uma razão! Para ele nada é por acaso, e tudo tem motivo. Dizem quem se acabou e não deu certo, é porque ainda não terminou (clichê, mas verdade verdadeira). Por isso que felicidade seja sinônimo de inteligência, de decência e até de natureza, mas pelo amor de Deus, que seja sinônimo de futuro.

sábado, julho 28

Vazio Preciso



Parar de pensar é como a sensação de uma criança hiperativa ao alcançar o pote de bala: uma conquista. Tem aqueles dias (terças-feiras chuvosas) que a gente só quer parar de pensar (num âmbito geral) por pelo menos alguns longos minutos e tentar entender o que os monges tibetanos pensam, ou melhor, não pensam em suas admiráveis reflexões. A notícia ruim, é que para nós que não contemplamos um Deus o tempo todo, parar de pensar é tão difícil quanto tirar o doce da criança hiperativa. Se a gente permitir, esses pensamentos vão nos cutucar até a última tripa da nossa consciência fazendo parecer que se não acharmos uma fabulosa solução para tal, nosso heroísmo rotineiro falhe, e muito. “Rotineiro” pra mim, é o grande vilão. Já percebeu que quando nada de inesperado acontece no teu dia o teu pré-sono fica mais tedioso? Aliás, já percebeu que as piores coisas que já passaram pela tua cabeça se sucederam em momentos que tu tava totalmente sozinho seja na cozinha, na sala, ou quando tu tentou cochilar na terça-feira monótona? Quando a gente tá com alguém (o qual gostamos de estar) nunca nada é tão ruim que não possa se dar um jeito ou melhorar. Por isso, experimente sair da rotina (mas não decepcione, saia direito) e veja como tu te sentes no fim do dia. Se pior ou “na mesma”, algo tá faltando pra te completar. Se te sentires melhor, ótimo! Acabou de descobrir que os cutuques anteriores eram bobagem pura, e que a realidade é que não há outra solução para eles a não ser persistir na prática tibetana e continuar vivendo.ucederam em momentos que tu tava totalmente sozinho no trabalho, ou estudando a disciplina mais ordin

domingo, julho 22

Verdade Nada Clichê



Estamos cansados de ouvir que nosso futuro depende apenas de nós mesmos. Uns acham que além de bobagem, este pensamento é ingênuo, afinal, nossa vida é controlada única e exclusivamente pela mídia capitalista (ou qualquer outra) a qual faz com que acreditemos que realmente somos donos de nossos próprios narizes. O fato é que, com as poucas certezas e muitas incertezas que tenho, acredito que nada é maior do que algo que está dentro de nós. Algo que nunca foi desvendado com exatidão por nenhum cientista ou qualquer inventor do século passado: nosso pensamento. É claro que não devemos acreditar em tudo o que pensamos, porém excitante seria se todos nós conseguíssemos distinguir os pensamentos úteis dos inúteis, e transformar esses primeiros em algo concreto. Depois dessa transformação, mudar de novo e de  novo, até que uma satisfação surgisse dentro de nós (garanto que não surgiria com facilidade). Não é pra se tornar perfeccionista, é só pra fazer o melhor que podemos. Concluindo esta parte, posso dizer que o mundo tá perdido. A notícia boa é que desde que existe vida nele, ele sempre teve. A diferença que estou tentando remeter a ti neste instante, justamente se dá pelo teu próprio encontro nessa bagunça, ou ainda pelo teu próprio desencontro nessa tranqueira, afinal todo mundo nasce perdido. O teu diferente vai se fazer pelo "agora sei quem sou e quem serei até morrer" ou ainda pelo "não faço ideia de quem sou". Qualquer um dos dois tá certo, por isso somente suplico pra que ninguém fique na mesmice. Ela não é ponto de um nenhum equilíbrio (esse que é necessário em situações de qualquer espécie de nossa vida), e muito menos ponto de tranquilidade. A mesmice é apenas um caminho fácil pra se acreditar que há alguma teoria que decide nosso caminho por nós. A mesmice é ponto de conforto e acima de tudo, de tédio.
No primeiro post, disse para cada um de nós nos orgulharmos da natureza da qual viemos. Não é nessa que nada se cria, tudo se transforma? Confie nela. Assim, no dia que a gente fechar os olhos e sermos identificados por uma etiqueta, no nosso último suspiro vamos entender o que é satisfação.


segunda-feira, julho 16

Paranoia Inerente


         Definitivamente as preocupações decorrentes do dia-a-dia, ou não, estão se proliferando para toda nova geração que se sucede no decorrer dos tempos. Anti-depressivos sendo indicados à adolescentes, o público jovem invadindo cada vez mais os consultórios de psicólogos e pais dando mais importância à saúde mental do que a física de seus filhos. Sei que abro muitas vertentes positivas e negativas nessas minhas comparações: a depressão pode ser algo genético mesmo em crianças, pais só podem querer o bem de seus filhos nesse novo tempo paranóico e que os psicólogos podem ser considerados os heróis da atualidade. E como podem! O novo mal do século, além dessa classificação subjetiva, tem nome: má comunicação. É ela que causa os iniciais desentendimentos de toda grandiosa guerra, seja ela física, mental (ou até que transcenda) da nossa atualidade. Até onde tudo isso vale a pena?
         O lado ruim desse prematuro filosofar é um tanto quanto óbvio. Além de tudo que já citei, ainda posso acrescentar o caminho que esses jovens possam vir a seguir após não entenderem essa nova “energia”, hoje disponível, para produzirem algo de boa fé. Exemplos não são escassos porém não há razão de lista-los aqui, já que podemos ligar nossa televisão e assistirmos qualquer tele-jornal anunciando de forma horripilante mais um deles.
         O fato é que há uma face positiva para toda a questão. Sem essa precoce preocupação eu não estaria tomando meu tempo para escrever essas postagens, os jovens não seriam um pouco mais levados a sério num âmbito social e até filantrópico, e, principalmente, não trilharíamos nosso caminho para o que realmente importa para cada um de nós: nos acostumarmos a ser que realmente somos. Acredito na destruição de tabus por parte dessa inteligência (se canalizada de um jeito positivo). Já ouvi diversas vezes, que a pessoa mais feliz do mundo é também a que tem menos conhecimento. Neste exato momento concordo com esse pensamento. Entretanto, mudar é meu estado natural e estou pronto para vivenciar o dia que inteligência vai ser sinônimo de felicidade. Pronto até, para discutir as novas paranoias decorrentes deste novo futuro.