Passar a vida inteira
desejando algo específico não é fácil. Quando se passa por papinha, espinhas,
depressão, convicção (e depois depressão de novo) e se deseja a mesma coisa,
brota da gente paciência e alma. Imaginar, idealizar, tentar o utópico por tanto,
mas tanto tempo faz do indivíduo um belo dum persistente. Persistência real só
se percebe quando a fase da empolgação passa, quando a fase do desapontamento
passa, quando a fase do ‘sentir nada’ (de tanto querer sentir) já era, e mesmo
assim se dá o próximo passo não se dando bola para os tantos ferros encravados
no pé que atrapalham a caminhada. O persistente deve morar no Saara e morrer de
frio. O persistente tem que construir chão com telha e desgrudar suas ideias,
que tanto o atravancam, com cola. Ele tem que sentir que por mais que ele
suficiente, nunca é tente. E tem que provar que isso que acaba de escrever faz
sentido. É claro que dá pra conseguir o que se quer optando por trechos mais
fáceis. Claro pra muitos, escuro pro persistente. O caminho espinhoso é
horrível, mas é o único pra ele. Autoflagelação? Bobagem. Quem persiste não tem
tempo pra essa coisas.
Porém, quando ali, num momento sucinto e rente, a coisa tão
querida aparece em sua frente, e ele pobre com uma lágrima correndo diz baseado
na falsa verdade crente: agora sim, pra sempre serei persistente.

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