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segunda-feira, dezembro 10

Tenta


           
          Passar a vida inteira desejando algo específico não é fácil. Quando se passa por papinha, espinhas, depressão, convicção (e depois depressão de novo) e se deseja a mesma coisa, brota da gente paciência e alma. Imaginar, idealizar, tentar o utópico por tanto, mas tanto tempo faz do indivíduo um belo dum persistente. Persistência real só se percebe quando a fase da empolgação passa, quando a fase do desapontamento passa, quando a fase do ‘sentir nada’ (de tanto querer sentir) já era, e mesmo assim se dá o próximo passo não se dando bola para os tantos ferros encravados no pé que atrapalham a caminhada. O persistente deve morar no Saara e morrer de frio. O persistente tem que construir chão com telha e desgrudar suas ideias, que tanto o atravancam, com cola. Ele tem que sentir que por mais que ele suficiente, nunca é tente. E tem que provar que isso que acaba de escrever faz sentido. É claro que dá pra conseguir o que se quer optando por trechos mais fáceis. Claro pra muitos, escuro pro persistente. O caminho espinhoso é horrível, mas é o único pra ele. Autoflagelação? Bobagem. Quem persiste não tem tempo pra essa coisas.
         Porém, quando ali, num momento sucinto e rente, a coisa tão querida aparece em sua frente, e ele pobre com uma lágrima correndo diz baseado na falsa verdade crente: agora sim, pra sempre serei persistente.

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