Esses dias me deparei com o convite de casamento da minha
prima. Quando falo em ‘deparar’ não estou me referindo à primeira vez que o vi,
e não estou querendo dar a ideia de que fui o único membro da família a
descobrir da existência do grande evento apenas com o convite já entregue.
Quando uso ‘deparar’ falo em esbarrar, parar por um momento e por algum motivo
surpresa. Surpreendente é alguém que eu conheço desde que nasci, e que naquela
época ainda se conhecia por criança, hoje estar unindo laços e realizando mais
um ‘sim’. O convite estava perto da foto de toda minha antiga turma a qual
celebrava, no momento registrado, a conclusão do Ensino Médio. Perto destes,
ainda sob minha escrivaninha, havia uma lembrança de meu 1º ano de vida exibida
em um porta-retrato que estava parcialmente coberto por uma ficha, a qual
deveria ser preenchida para concorrência de uma vaga no projeto de pesquisa da
universidade em que me graduo. Encontro de meros papeis seria, se eu estivesse
no meio de uma crise ceticista (nada contra, mas gosto de chamar de ‘crise’).
Como eu estava no gozo de minha plena capacidade subjetiva, resolvi pensar e
refletir até cair na paranoia inerente que o tempo nos trás. É certo que esse
tem sua gênese na decorrência dos fatos, mas sua manifestação está quando não
só olhamos, porém sentimos a quantidade de metamorfoses que se sucedem dia após
dia. Feliz de quem pode usufruir completamente de algum bem adquirido há um
tempo atrás, ou ainda rir verdadeiramente das graças de uma amizade feita há um
tempo maior ainda. Feliz de quem não tem receio de tudo isso.
Hoje, mais do que nunca, exponho minha intimidade para
tentar desenvolver algo sobre este tema, afinal ele só pode ser explicado por
um vida real. Entretanto, assim como comecei, logo paro por aqui. Pode parecer
um texto inacabado, mas o tempo é escasso. Nós que ainda tememo-os já estamos demorando
para enfrentarmos o maior risco de nossas vidas: nem atrasar, nem adiantar, só
seguir o ponteiro tentar.
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