Todos somos guerreiros.
Guerreiros das situações árduas, das dores permanentes e dos momentos
facilmente complicados. Acima de qualquer outra coisa somos guerreiros
cotidianos. Só não somos todos milicos, porque não sabemos o modo de manusear
instrumentos bélicos afim de derrotar um determinado inimigo: sabemos muito
mais. Quando esbarramos nas duras condições das nossas vidas, temos que correr
e achar a mais potente arma que conseguirmos para que o tiro certeiro no brio
de nossos mais ingratos sentimentos aconteça. Quando tu derrotas de uma vez por
todas este grande mal que por alguma ventura te cercou, a comemoração subjetiva
e até objetiva não só é necessária como é extasiante. Infelizmente alegria de
ricos (de espírito) também cessa e depois de um tempo tu vais perceber que o
problema superado anteriormente foi de extrema importância para ti, porém já
será hora de crescer novamente. Pode ser que teu próximo empecilho não adquira
tamanhas dimensões como o anterior. Tu deves estar pensando que obviamente seria
um bom sinal, afinal, quanto menor o problema mais fácil a resolução do mesmo.
Assim como muitas vezes um mais um não é dois, aquele menor problema que tu
encontra pode te dar muito mais trabalho do que o avantajado obstáculo que tu
tinha encontrado anteriormente. Isto só acontece quando tu tá usando a tuas
armas mais pesadas e complexas tão seguidamente que elas começaram a parecer um
simples arco e flecha. O pior disso tudo é que na hora que tu devias usar o
armamento indígena, tu acendes o maior fogo possível no pavio do mais forte
canhão e o tiro sai pela culatra.
Tudo tem sua devida dimensão. Para respeitar essa, não só o
equilíbrio emocional é necessário, mas também a santa paciência. Foque tuas
defesas nas extensas guerras, porém não esqueça dos pequenos conflitos. Só
assim seremos guerreiros por completo, ou melhor, heróis cotidianos.