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quarta-feira, dezembro 19

Eterno Último


         
            É divertido como deixamos o nosso melhor sempre para o futuro. Essa atitude até tem um pouco de sentido já que nossa esperança comanda nossa cabeça a acreditar no ‘melhor futuro’, este que é instrumento de segurança rotineira. Se tu não sentes isso é porque tua esperança é mais esperta que o teu ceticismo e finge se omitir por trás deste, afinal, quem não tem esperança tá morto. Eu escrevo pra vivos, vivinhos da silva, que hoje nesse globo cada vez mais ‘mundializado’ tendem a crer nos acontecimentos majestosos como objetos de mudança para a individual melhora. Esperam a cura da doença incurável, a queima de fogos do ano-novo e o feliz natal da meia-noite pra prometer e prometer. Nada contra! Sou um deles! Gosto do brinde do ano-novo, desejo que todos os pratos da ceia do natal anterior se materializem na minha frente quando a pizza tá demorando pra chegar no jantar de uma quinta-feira e acredito que, no mínimo, apreciaria a cura de uma eventual doença incurável. Alguns dizem que tudo isso faz sentido por questões de energia: um bocado de gente prezando pelo ‘melhor futuro’ tem que ter alguma reação metafísica considerável. Acredito que esta incrível existe, mas não acredito que humanos sejam capaz de senti-las e aplica-las. Fazemos tanta burrada que nos limita dia após dia, que custa acreditar que a energia em pauta tem um efeito direto.
         A solução, a sente já sabe: fazer o ‘melhor presente’. O meio: buscar significados. Quando entendermos a razão do natal, do ano novo e até da doença vamos ter menos motivos de revolta porque vamos esclarecer nossas mentes e compartilhar uns com os outros. Acredito que o dia em que todos perceberemos que não existe amanhã para o nosso ‘melhor’, vai chegar. E olha que eu nem tô falando do dia 21.

segunda-feira, dezembro 10

Tenta


           
          Passar a vida inteira desejando algo específico não é fácil. Quando se passa por papinha, espinhas, depressão, convicção (e depois depressão de novo) e se deseja a mesma coisa, brota da gente paciência e alma. Imaginar, idealizar, tentar o utópico por tanto, mas tanto tempo faz do indivíduo um belo dum persistente. Persistência real só se percebe quando a fase da empolgação passa, quando a fase do desapontamento passa, quando a fase do ‘sentir nada’ (de tanto querer sentir) já era, e mesmo assim se dá o próximo passo não se dando bola para os tantos ferros encravados no pé que atrapalham a caminhada. O persistente deve morar no Saara e morrer de frio. O persistente tem que construir chão com telha e desgrudar suas ideias, que tanto o atravancam, com cola. Ele tem que sentir que por mais que ele suficiente, nunca é tente. E tem que provar que isso que acaba de escrever faz sentido. É claro que dá pra conseguir o que se quer optando por trechos mais fáceis. Claro pra muitos, escuro pro persistente. O caminho espinhoso é horrível, mas é o único pra ele. Autoflagelação? Bobagem. Quem persiste não tem tempo pra essa coisas.
         Porém, quando ali, num momento sucinto e rente, a coisa tão querida aparece em sua frente, e ele pobre com uma lágrima correndo diz baseado na falsa verdade crente: agora sim, pra sempre serei persistente.