É divertido como deixamos o nosso melhor
sempre para o futuro. Essa atitude até tem um pouco de sentido já que nossa
esperança comanda nossa cabeça a acreditar no ‘melhor futuro’, este que é
instrumento de segurança rotineira. Se tu não sentes isso é porque tua esperança
é mais esperta que o teu ceticismo e finge se omitir por trás deste, afinal,
quem não tem esperança tá morto. Eu escrevo pra vivos, vivinhos da silva, que
hoje nesse globo cada vez mais ‘mundializado’ tendem a crer nos acontecimentos
majestosos como objetos de mudança para a individual melhora. Esperam a cura da
doença incurável, a queima de fogos do ano-novo e o feliz natal da meia-noite
pra prometer e prometer. Nada contra! Sou um deles! Gosto do brinde do
ano-novo, desejo que todos os pratos da ceia do natal anterior se materializem
na minha frente quando a pizza tá demorando pra chegar no jantar de uma
quinta-feira e acredito que, no mínimo, apreciaria a cura de uma eventual
doença incurável. Alguns dizem que tudo isso faz sentido por questões de
energia: um bocado de gente prezando pelo ‘melhor futuro’ tem que ter alguma
reação metafísica considerável. Acredito que esta incrível existe, mas não
acredito que humanos sejam capaz de senti-las e aplica-las. Fazemos tanta
burrada que nos limita dia após dia, que custa acreditar que a energia em pauta
tem um efeito direto.
A solução, a sente já sabe: fazer o ‘melhor presente’. O
meio: buscar significados. Quando entendermos a razão do natal, do ano novo e
até da doença vamos ter menos motivos de revolta porque vamos esclarecer nossas
mentes e compartilhar uns com os outros. Acredito que o dia em que todos
perceberemos que não existe amanhã para o nosso ‘melhor’, vai chegar. E olha
que eu nem tô falando do dia 21.

