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quinta-feira, agosto 30

Irônico Inevitável


         A gente nunca tá preparado pra perder alguém. Seja numa história de amizade, de amor ou apenas de convivência. Mas o que mais nos impressiona, é perder alguém para sempre. Só quem já viveu a perda da vida de alguém próximo sabe do que falo. Aliás, me engano: nem quem já viveu essa sensação sabe do que estou falando, porque não sabemos qual será o próximo sentimento que irá brotar da saudade e aparecerá amanhã de manhã quando nos lembrarmos não da pessoa, mas dos instantes que vivemos. A revolta aparece, é claro. Qual a razão da morte? Por qual motivo a vida que conhecemos tem fim? Talvez seja porque tudo o que é bom acaba? Ou porque ela é tão imperfeita que tem gente que quer acabar com ela o mais rápido possível? Por que doença ou acidente de trânsito? Não sei mesmo. Talvez seja o destino? Balela! Os objetivos até podem tar traçados, mas os caminhos é a gente que faz mesmo. Então será porque a gente tem que desvendar os mistérios que nos cercam pra alcançarmos a paz? Talvez seja uma melhor explicação... mas macacos nos devorem, que mistérios são esses?! Ah, a gente só descobre quanto nossa missão tá feita por aqui? Missão? Missão. Qual? A gente descobre.
         A gente descobre, na hora da perda, que algum sentimento puro ainda existe nos dias de hoje. A gente descobre que, dependendo da morte, ela é linda. A gente descobre que o choro com o olho direito significa ternura e que os clichês são verdade: sempre conviva com o ser em detrimento do ter. O que a gente melhor desvenda é que não existe tristeza maior do que o adeus, porém não existe sentimento melhor do que a certeza de que o “maior bem” ainda está por vir. Onde estiver, fica como tu nos deixaste: em paz.



sábado, agosto 18

Vida de Todo Gênero


         Não, a vida não é como um longa metragem. Todo mundo finge que esse assunto é saturado, mas vamos convir: nós temos esperanças que um dia ela se torne um. Em um bom filme tudo é programado pra que nossos olhos se encham de expectativas com a paisagem perfeita e que nossos ouvidos se deleitem com a trilha sonora exata, para assim tentarmos entender a emoção vivida pelos personagens. Quando chega o final e os créditos sobem, nossos olhos ficam atônitos por uns segundos, comando esse vindo de nosso cérebro, o qual ainda está interpretando a última frase dita pelo protagonista. Tudo muito empolgante, porém, fictício. A realidade é um pouquinho diferente: as nossas alegrias chegam também em dias chuvosos e nossas tristezas em dias até então inspiradores. Quando te cobrarem quanto ao rendimento profissional e pessoal nenhuma música motivacional irá começar a tocar no local que tu está, e todo o teu esforço para se tornar uma pessoa melhor não vai passar em formato de corte de cena, durando apenas 10 segundos. Não tente fazer de todos os teus dias um novo momento pra te superar e descobrir algo extremamente positivo porque a tua frustração será imensa. Os dias ruins e mais ou menos devem existir e tu sabes a razão dessa necessidade. A notícia boa (sempre tento trazer alguma) é que nem toda nossa vida se encaixa perfeitamente, porém há momentos (pequenos em tempo) que se assemelham tanto com o filme que tu viu semana passada que te fazem querer cada vez mais entender como isso tudo que nos cerca funciona, e mais, te provocam a tentar mais uma vez sentir esse limitadíssimo instante. Tenho certeza que tu vai conseguir, mas até lá, boa sorte pra todos nós com nossos maquiados e editados 10 segundos.


terça-feira, agosto 7

Achado Atrasado




A gente nunca percebe o quão bom é o tempo que estamos vivendo porque ainda persistimos naquela chata e humana mania de só nos darmos conta da real felicidade, quando ela já não está mais aí pra nos fazer decentes. Sim, decência, porque essa não devia nos reportar ao esforço para não sermos julgados de forma negativa pelos outros, mas sim devia ser o maior sinônimo de felicidade. A questão surge: Então chegamos mais perto da felicidade única e exclusivamente quando não a temos mais? Cada vez mais acredito que sim. Essa realidade pode ser um pouco triste, porém natural: não podemos medir o tamanho da nossa felicidade de hoje porque essa perderia a graça! Fazer essa medição seria como desrespeitar as regras, ou como ir numa cartomante e ela finalmente acertar todos detalhes de teu futuro em cheio. Sempre que falo em “natural” estou me referindo a algo extraordinariamente bom, afinal o homem nunca botou suas mãos em tamanha complexidade. Já falei aqui, que um dos fatores que mais deve ser levado a sério em nossas vidas é o nosso pensamento, ou seja, coisa natural. É de berço que trazemos esse sentimento de “felicidade tardia”, ou melhor, “felicidade perdida”. O lado bom (ótimo) é que o “natural” sempre age com uma razão! Para ele nada é por acaso, e tudo tem motivo. Dizem quem se acabou e não deu certo, é porque ainda não terminou (clichê, mas verdade verdadeira). Por isso que felicidade seja sinônimo de inteligência, de decência e até de natureza, mas pelo amor de Deus, que seja sinônimo de futuro.