A gente nunca tá preparado pra perder alguém. Seja numa
história de amizade, de amor ou apenas de convivência. Mas o que mais nos
impressiona, é perder alguém para sempre. Só quem já viveu a perda da vida de
alguém próximo sabe do que falo. Aliás, me engano: nem quem já viveu essa
sensação sabe do que estou falando, porque não sabemos qual será o próximo
sentimento que irá brotar da saudade e aparecerá amanhã de manhã quando nos
lembrarmos não da pessoa, mas dos instantes que vivemos. A revolta aparece, é claro.
Qual a razão da morte? Por qual motivo a vida que conhecemos tem fim? Talvez
seja porque tudo o que é bom acaba? Ou porque ela é tão imperfeita que tem
gente que quer acabar com ela o mais rápido possível? Por que doença ou
acidente de trânsito? Não sei mesmo. Talvez seja o destino? Balela! Os
objetivos até podem tar traçados, mas os caminhos é a gente que faz mesmo.
Então será porque a gente tem que desvendar os mistérios que nos cercam pra
alcançarmos a paz? Talvez seja uma melhor explicação... mas macacos nos
devorem, que mistérios são esses?! Ah, a gente só descobre quanto nossa missão
tá feita por aqui? Missão? Missão. Qual? A gente descobre.
A gente descobre, na hora da perda, que algum sentimento
puro ainda existe nos dias de hoje. A gente descobre que, dependendo da morte,
ela é linda. A gente descobre que o choro com o olho direito significa ternura
e que os clichês são verdade: sempre conviva com o ser em detrimento do ter. O
que a gente melhor desvenda é que não existe tristeza maior do que o adeus,
porém não existe sentimento melhor do que a certeza de que o “maior bem” ainda
está por vir. Onde estiver, fica como tu nos deixaste: em paz.

